A calvície na mulher é muito preocupante quando ocorre além dos limites culturalmente aceitáveis. A queda de cabelos pode causar desconforto e diminuir a qualidade de vida da paciente.
Uma variante da calvície feminina dita alopecia androgenética caracteriza-se pela diminuição progressiva do diâmetro dos fios de cabelo na parte central do couro cabeludo e pela ausência de recesso na linha de implante na fronte. Esta pode ser decorrente de fatores genéticos (história familiar, principalmente feminina), presença de ovários policísticos e hiperplasia adrenal congênita.
A alopecia (perda de cabelos) androgenética tem uma condição genética implicada e é produzida pela ação dos androgênios circulantes. Ela pode ocorrer após a menopausa, quando os níveis de estrogênio diminuem e predomina o androgênio. No entanto, os androgênios somente levarão a calvície, quer na mulher menopausada como na gravidez, se elas apresentarem uma forte predisposição genética.
Naquelas pacientes em que o traço genético for menor, a perda de cabelos somente ocorrerá quando a produção androgênica estiver aumentada (ex. ovários policísticos) ou forem ingeridos medicamentos com atividade androgênica (alguns anticoncepcionais orais).
Outra variante da calvície feminina é o eflúvio telógeno causado pela transformação prematura dos pelos em fase de crescimento para pêlos telógenos, ou seja, em fase de eliminação. Neste tipo de calvície, costuma ocorrer queda difusa de cabelos de 1 a 3 meses após um evento que a precipitou. Os eventos precipitantes podem ser: dietas radicais, presença de anemia, alterações na tireóide, outras doenças sistêmicas, uso de alguns medicamentos, estresse acentuado, período pós-parto, febre muito elevada, grandes cirurgias recentes e etc.
Na consulta médica é importante uma história clínica detalhada para estabelecermos a causa e afastarmos fatores que pioram esta situação clínica. Na mulher geralmente torna-se necessário solicitar exames laboratoriais para identificarmos ou afastarmos alterações hormonais, anemia e deficiências nutricionais.
O tratamento tem como objetivo impedir a queda de cabelos e seus fatores desencadeantes. Quando o problema for causado por estresse ou deficiências nutricionais devemos, primeiramente, melhorar a condição geral do organismo com dieta equilibrada, suplementos vitamínicos e de minerais.
Diferentes drogas sistêmicas antiandrogênicas são utilizadas na alopecia androgenética como, por exemplo, a espironolactona. Estas podem ser associadas, ou não, a drogas tópicas que estimulam o crescimento e espessamento dos cabelos.
Drª Francine Batista Costa
Dermatologista
CRM 26814